• Wilson Ricoy

Estruturando seu tempo de estudo

Como toda atividade que necessita de aprendizado e aprimoramento constantes, o estudo da música requer uma frequência de estudo mínimo diário para que possamos atingir os objetivos estabelecidos. Todos os grandes nomes da música nacional e internacional são resultados de uma mistura de estudo e dedicação intensos. Temos também o caso dos gênios da música universal, onde características muito pessoais também fizeram a diferença. O fato é que a famosa frase “um grande trabalho é fruto de 10% de inspiração e 90% de transpiração" é a mais pura verdade!


Assim, é necessário estabelecer uma rotina frequente de estudos, de maneira organizada, a fim de que possamos interiorizar a informação e realmente assimilar seu conteúdo. É muito mais produtivo estudar diariamente, mesmo por um tempo mínimo, do que rachar de estudar em um determinado dia da semana para “compensar”. Lembre-se sempre que a prática constante é que leva à perfeição!



Para ajudar nos seus estudos, segue uma tabela que procura organizar os assuntos de uma maneira lógica. Os tópicos aqui listados são essenciais para formatar suas habilidades, conhecimento e vocabulário, independente do seu estilo musical predileto. Esta tabela pode sofrer atualizações constantes ao seu gosto, à medida que você for identificando as suas próprias necessidades. Apenas lembrando, a tabela abaixo tem um período de estudo sugerido, mas pode e deve ser adaptada para contemplar o período que você tem disponível para a prática:



Essa tabela deve adaptada de acordo não apenas com seu tempo de estudo, mas os tópicos também devem ser incluídos ou alterados conforme os assuntos forem sendo abordados em aula com seu professor. Peça a ajuda dele para ir ajustando sua planilha de acordo com o conteúdo passado em aula.


O estudo da música deve ser levado a sério e ser feito de maneira focada, a fim de que possamos internalizar melhor os tópicos que estão sendo estudados. Por mais que digamos que conseguimos prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo, o fato é que estamos dividindo a capacidade de foco do nosso cérebro, que não prioriza de maneira apropriada as várias informações que está recebendo ao mesmo tempo. Então, devemos estudar cada tópico com 100% de foco, absorvendo as informações de maneira gradual.



Uma dica que funciona é deixar o telefone celular em modo avião durante o período de estudo, para evitar as constantes interrupções das notificações de mídias sociais e aplicativos de mensagens (WhatsApp, Telegram, etc.). Assim é possível manter a concentração e foco no estudo de maneira objetiva.


O tempo é algo que possui inestimável valor. Invista bem o seu tempo estudando prestando atenção a cada detalhe, encarando cada tópico sempre com muita seriedade e sempre com atitude positiva, sem desanimar nunca!


A melhor maneira de estudar é utilizando uma cadeira confortável, onde você possa apoiar as costas e manter a coluna reta. Uma estante de partituras ou mesa é essencial para que você coloque sua apostila, livro ou qualquer material que você esteja utilizando para estudar.


A melhor postura para estudar é a mesma utilizada pelos violonistas clássicos, apoiando a curvatura da parte de baixo do instrumento sobre a parte superior da perna da mão da escala.


Para que possamos evitar diferenças entre tocar sentado e tocar em pé, regule a altura da correia de seu instrumento para que ele fique posicionado da mesma maneira em pé ou sentado. Isso faz muita diferença! Podemos ver por aí vários instrumentistas que utilizam a correia quase na altura do joelho e isso pode causar um problema sério de coluna com o passar dos anos.


Além disso, a correia regulada da maneira correta proporciona um posicionamento ideal para uma maior fluidez na execução do instrumento. Você irá perceber que fica bem mais fácil “vestir” o instrumento, pois ele fica disponível para ser tocado de uma maneira bem mais natural. Essa postura vai ajudar bastante tanto para estudar quanto para tocar, tornando a prática do instrumento mais agradável, sem prejudicar sua coluna, músculos e tendões.



Uma outra dica importante é você fazer alguns alongamentos após o seu período de prática. Estudos recentes apontam que fazer o alongamento logo depois você acabar de praticar pode ter um efeito positivo no relaxamento muscular e ainda pode ajudar a diminuir a dor muscular tardia relacionada ao exercício.


Seguem alguns exemplos de alongamento que podem ser executados após a prática dos exercícios propostos ou mesmo após qualquer ensaio ou apresentação:


•Estenda o braço direito, com a palma da mão voltada para fora e os dedos apontados para cima. Com os dedos de sua mão esquerda, puxe os dedos da mão direita gentilmente para trás, parando assim que você sentir os tendões forçados. Faça o processo novamente, agora com os dedos apontados para baixo. Faça isso de 20 a 30 segundos em cada mão, 3 vezes cada;


•Movimentos giratórios dos pulsos, alternando o sentido dos giros. Faça isso de 20 a 30 segundos em cada mão, 3 vezes cada;


•Abrir e fechar as mãos repetidamente (mesma frequência acima) para ativar a circulação;


•Massagear individualmente cada dedo de ambas as mãos.


Isso irá ajudar você a prevenir as lesões por esforços repetitivos que são causadas movimentos regulares e contínuos.


Vale lembrar que o processo de aprendizado é cumulativo, tal qual nos esportes. Repare que mesmo os “craques” da bola treinam constantemente, repetindo todos os fundamentos que eles vêm praticando desde que começaram a jogar. Na música é a mesma coisa. Tudo o que você aprender será utilizado por toda a sua carreira musical e esse é o motivo pelo qual devemos sempre reestudar cada tópico. Com o passar do tempo, você irá enxergar esses fundamentos sob uma nova abordagem e irá direcionar os estudos deles de acordo com suas necessidades.


O estudo da técnica deve ser feito sempre com o auxílio do metrônomo, iniciando sempre de maneira lenta, podendo aumentar o andamento das batidas do metrônomo à medida em que sua memória muscular for se adaptando ao exercício, tornando sua execução mais fácil. Vale lembrar que o objetivo não é ser “o mais rápido do Oeste”, mas sim treinar para que você não tenha limitações físicas na execução de seu instrumento. A técnica é um meio e não um fim!



Somente a pratica constante permite que possamos vencer gradualmente os limites de execução no instrumento, gerando possibilidades infinitas de abordagem, criação e performance. O saxofonista americano John Coltrane, considerado um dos músicos mais importantes de todos os tempos, costumava dizer quando ele ficava longe do instrumento por uma semana, o instrumento o abandonava por um mês.


Vale a pena termos em mente algumas regras essenciais que irão nos proporcionar um tempo de estudo e prática muito mais efetivos e agradáveis:


PRATIQUE LENTAMENTE: quando praticamos em andamentos lentos fica mais fácil garantir a execução perfeita e sem erros. A partir do momento que o exercício se torna confortável, podemos ir aumentando pouco a pouco o andamento;


ATITUDE POSITIVA: não se deixe pressionar pela obrigação! Cada um tem seu ritmo próprio e isso deve ser respeitado. Aqui o foco é não desanimar com eventuais dificuldades. Cada uma delas é um desafio a ser vencido. Tenha em mente que cada barreira fará com que você se torne um músico cada vez melhor;


FOCO: quando você estiver estudando, sua concentração deve ser total. Tenha um local confortável para estudar, uma garrafa de água por perto e todo o material que você necessitar. Pratique em um ambiente que incentive você a estudar, longe das tentações de hoje em dia como TV, celular, Facebook, Instagram, jogos, etc. Foque a sua atenção 100% no seu estudo;


RESPEITE O TEMPO DE PRÁTICA: para que seus estudos não se tornem cansativos, determine um tempo de prática para cada tópico. Isso permitirá que você possa ter uma maior abrangência de tópicos em seu tempo de estudo, mas também irá evitar que você sofra de algum tipo de lesão por esforço repetitivo (L.E.R.).


Vamos praticar?



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